18/10/2022 08:18

Idas ao Maracanã e rotina na Tijuca: a origem de Renato Augusto antes da idolatria no Corinthians

Camisa 8 do Corinthians volta a disputar um título no estádio cujo barulho escutava de sua janela

Idas ao Maracanã e rotina na Tijuca: a origem de Renato Augusto antes da idolatria no Corinthians
Foi na apertada garagem do condomínio Tijuca Park, num bairro de classe média na zona norte do Rio de Janeiro, que Renato Augusto, um dos jogadores com maior noção de espaço dentro de um campo de futebol no Brasil, começou a pegar prática de direção.


Quase sempre com autorização da mãe, o camisa 8 do Timão fez suas primeiras manobras atrás do volante de um carro modelo Celta que pertencia à dona Salete.

– Renato já dirigia bem. Ele tinha fascínio, estudava o carro, era aplicado. A gente saída daqui pra dar uns rolês. Ele sempre gostou muito de carro. Um dos sonhos ainda hoje é comprar um de fabricação 1988, que é o ano de nascimento dele – contou o amigo Dimitri Gusman, em visita do ge ao Tijuca Park na última segunda-feira.

As práticas aconteciam até 2006, ano em que Renato completou 18 anos.

Cinco meses depois, em julho, o jogador recém-habilitado vestiu a camisa 10 do Flamengo numa final de Copa do Brasil contra o Vasco. Isso um tempo depois de acompanhar a semifinal contra o Ipatinga das arquibancadas do Maracanã, estádio localizado a apenas 11 minutos a pé de onde ele morava.

Hoje principal nome do Corinthians na busca pelo mesmo título, às 21h45 (de Brasília) desta quarta-feira, ele reencontra o Flamengo e o estádio em que viveu emoções desde a infância. Que virou sua casa nos anos de Fla e que ainda foi palco da medalha olímpica de 2016, com a seleção brasileira.

– Da minha casa dava pra ouvir o barulho das torcidas no Maracanã quando eu era moleque. A gente estava à toa e falava: “Que jogo tem hoje? Vamos lá?” Era baratinho, tinha ingresso a 5 reais na época e a gente entrava – contou Renato Augusto, que tem uma tatuagem do estádio no braço, ao ge.

Às vésperas da grande final da Copa do Brasil, a reportagem esteve na Tijuca para comprovar a pequena distância do palco do jogo para o local em que Renatinho, como era chamado, morou.

Foram 18 anos no 11º andar do prédio que dá fundo para a quadra do condomínio. Por lá, viveu junto da mãe Salete e de Gracinha, uma funcionária hoje falecida que morava com a família e que foi tratada a vida toda como uma segunda mãe pelo meio-campista corintiano.

Dali ao Maraca, são 850 metros. Quando adolescentes, Renato e seus amigos saíam para a rua Ibituruna, viravam a esquerda contornando a General Canabarro e davam de frente com o Maracanã.

– Tinha um jeito de entrar de graça, já que no finalzinho do jogo eles abriam os portões. Então a gente saía daqui correndo, várias vezes escondidos dos pais, e assistia ali aos cinco ou dois minutos finais do jogo que tivesse rolando. Já era uma bênção entrar e ver o Maracanã lotado – contou Dimitri.

As origens
É na Tijuca que estão as raízes de Renato Augusto.

Por ali ele teve seus primeiros clássicos disputados, entre os garotos do Tijuca Park, condomínio da Rua Ibituruna que conta com dois blocos, 16 andares e oito apartamentos por andar, contra os do Portal da Tijuca, um prédio localizado no mesmo bairro.

– Renato era um cara muito competitivo e já era muito superior a todos na quadra. Tinha reflexo de jogador, sabia proteger com os braços e era chamado pra jogar com os mais velhos. Era no prédio que a gente brincava de polícia e ladrão, que ele passava tardes jogando Elifoot (um jogo virtual no estilo manager), que jogávamos bola e de onde a gente ouvia o barulho do Maracanã – contou o advogado Fábio Gonçalves, um dos grandes amigos da infância.

Talentoso desde criança, Renato Augusto passou a ser destaque em campeonatos de futsal. Os primeiros títulos vieram pelo Grajaú Tênis Clube e pelo Tio Sam, tradicional equipe de Niterói.

– O Renato foi o maior jogador de futsal que eu vi na vida, ele jogava de ala. A gente se conheceu com uns oito anos, jogamos juntos no Tio Sam em 1996 e no Grajaú em 1998, e depois jogamos juntos de novo no campo no Flamengo. O Renato era apaixonado por futsal. Se na época o esporte tivesse o retorno financeiro, ele não teria ido para o campo. Até hoje tem muitas coisas do futsal, como a forma como acha o passe no espaço curto. Era estilo Manoel Tobias, de pouco drible, mas muita objetividade – elogia Guilherme Accioly, o Fronha, outro grande amigo.

A trajetória de Renato tem ainda uma passagem pelo Fluminense, onde migrou para o campo.

Pouco depois, foi levado por Anderson Barros, hoje diretor do Palmeiras, mas na época gestor de futsal do Flamengo, para o clube rubro-negro. Ali, Renato chegou ao time profissional com Ney Franco.

Tijuquense de coração
Renato Augusto fazia o sinalzinho e parava o ônibus 461 num ponto próximo à Praça da Bandeira, também localizado a alguns metros do condomínio. Era assim que o jovem ia para os treinos na categoria de base do Flamengo até descolar o carro da mãe emprestado.

A vida na Tijuca era confortável, mas sem luxos. Era por ali que ele cortava os cabelos ou que comprava suas roupas, isso antes de passar a receber cortesias em tênis e vestuários da patrocinadora que, segundo os amigos, acabavam sendo compartilhadas com toda a turma.

A algumas ruas dali tinha a Pizzaria Parmê, na rua Mariz e Barros, que servia um rodízio num preço que cabia no bolso. Lá, Fábio lembra que viveu uma cena que anos depois voltaria a se repetir algumas vezes e que atrapalharia o jogador em parte de sua trajetória: a luta contra as lesões.

– Uma vez, já na base do Flamengo, ele foi convocado para uma seleção de base, mas acabou sentindo uma dor muscular e foi cortado uns dias antes. Lembro que a Salete me interfonou para contar que ele estava chateado. Falei: "Vou chamar ele para ir na pizzaria". Ele tinha uns 15 anos. Fomos lá para dar uma animada nele, para detonar as pizzas (risos). Lembro de falar pra ele relaxar que não era aquele corte que ia acabar com a carreira dele – lembrou o amigo Fábio.

Embora tenha ido morar na Barra da Tijuca quando se tornou um profissional do Flamengo, a relação com a Tijuca ainda é muito forte para Renato. Lá ainda estão muitos amigos, além das memórias.

– Ele tem orgulho de dizer que é tijucano, sempre fala nas entrevistas –garantiu Fábio.

Na adolescência, enquanto toda a turma se preocupava com as atrações da matinê do fim de semana, Renato tinha vida puxada com os treinos e jogos. Não que não frequentasse as festas de vez em quando, mas as obrigações dos fins de semana obrigavam que o garoto tivesse uma rotina regrada, longe do álcool e com sono regulado. Um sacrifício que, no futuro, renderia grandes frutos.

– A mãe dele sempre nos falava: "Olha, vocês estão saindo juntos, então voltem juntos". Era coisa de irmão mesmo. Íamos sempre para uns shows em Copacabana de graça. Só tínhamos o dinheiro da ida. Na volta, pedíamos carona ao motorista do ônibus: "Só até a Praça da Bandeira" – recordou Fábio.

O pedido da mãe para que os amigos não se separassem foi levado bastante a sério por Renato Augusto. Tanto que, em julho de 2008, quando o garoto foi vendido pelo Flamengo ao Bayer Leverkussen, decidiu junto da mãe que levaria alguns amigos para facilitar a adaptação.

Para a Alemanha, partiram Fronha e Léo, amigos de infância que passaram a ter uma rotina de estudo no país e que ajudavam Renato a ter uma vida mais facilitada em sua experiência na Europa.

E o Celtinha?
Apegado ao passado, Renato Augusto tentou, tempos atrás, comprar de volta o Celta que pertenceu à sua mãe e que foi o seu primeiro automóvel no Brasil.

O veículo já teve outros donos desde que saiu de suas mãos. Por meio de um amigo, o atual dono recebeu uma oferta generosa pelo carro, mas não quis vender.

– Até acharam o novo dono. O cara não sabia que seria pro Renato Augusto, então acabou não vendendo. Deve ter achado estranho alguém querer comprar o carro dele (risos) – brincou Fábio.


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