O Corinthians enfrenta o São Paulo neste domingo (27), às 16h (de Brasília), valendo vaga na grande final do Campeonato Paulista. E a classificação para a semi aconteceu graças a Cássio, que defendeu o último pênalti na vitória por 7 a 6 sobre o Guarani, após o empate em 1 a 1 no tempo o normal.
O goleiro, destaque do time, está perto de atingir mais uma marca importante em sua carreira. Na próxima segunda-feira (28), Cássio completa 10 anos de sua estreia com a camisa alvinegra.
O que certamente você não sabe é que antes de se tornar um dos melhores jogadores da história do Corinthians, Cássio teve que enfrentar muitos obstáculos quando ainda era criança. Sem ter tido contato com seu pai, o goleiro e seus irmãos foram criados pela mãe na cidade de Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul.
A figura paterna foi assumida pelo tio João Carlos, mais conhecido como Kojak. Tio, padrinho e muitas vezes pai, foi ele quem levou Cássio em seus primeiros testes no Juventude e no Grêmio. Foi ele, aliás, o ‘chefe’ do sobrinho em seu primeiro emprego em um lava-jato.
‘’Eu tinha uma lavagem de carro, tenho até hoje, trabalho assim. Ele (Cássio) desde pequeno e meus outros sobrinhos, eu botava eles em primeiro lugar para trabalhar, ser gente, respeitar as pessoas para serem respeitados. Se tu não respeitar ninguém, ninguém te respeita. Esse é o grande orgulho da minha vida. Não foi fácil no começo".
‘’Ele foi em muitos lugares fazer teste. Tinha vezes que eu tinha dinheiro, outras vezes, não. Era difícil. Eu tinha a lavagem de carros, sempre cheio de serviço, ainda mais no final de semana, e ele me escapava: ‘Eu vou lá treinar’. E eu cheio de serviço: ‘Piá, tu me deixou mal hoje de novo’. Mas sempre acreditando’’, disse Kojak em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
Antes mesmo de começar a trabalhar na lavagem de carros, Cássio acompanhava seu tio nos treinos do Veranópolis Esporte Clube. Kojak era massagista do time, que na época, no início da década de 90, era treinado por ninguém menos que Tite, hoje técnico da seleção brasileira.
Tite e Cássio se conheceram muito antes de faturarem juntos o Mundial de Clubes e a Conmebol Libertadores de 2012 pelo Corinthians. Assim como Matheus Bacchi, filho e hoje auxiliar do técnico da seleção, Cássio era mascote do clube e ajudava o tio Kojak a carregar as bolas durante os treinamentos.
‘’Eu estava na arquibancada com um amigo vendo jogo do Veranópolis e eles não tinham massagista para disputar a segunda divisão, que naquela época não era molezinha como é agora. Eu tava no treino lá. Aí o cara disse para o Tite: ‘Eu tenho o meu primo aqui que é massagista. Eu disse: ‘Eu entendo’. Mas na verdade eu não entendia muito''
''Eu fui apresentado, ele me aceitou e eu aprendi muita coisa. O Tite foi um paizão para mim. Ele nos ajudava e sabia que eu era de família humilde. Não tenho palavras para ele. Ficou a amizade, a gente foi campeão da segunda divisão com ele aqui. Foi o primeiro título dele aqui em Veranópolis. Vai ficar marcado e será para o resto da vida’’, lembrou.
E foi em 2012 que Kojak e Tite se reencontraram. Na época, Cássio levou seu tio para conhecer o CT Joaquim Grava.
‘’Eu fiquei 20 anos sem ver o Tite. Em 2012 o Cássio me levou para ver a Libertadores. Eu fui no CT do Corinthians e o Cássio falou: ‘Tite, o Kojakão está aí’. Ele disse: ‘Mas por que que tu não trouxe ele aqui no vestiário?’ Quando ele me viu, veio direto falar comigo. Tem uma coisa que eu falei para ele. Eu disse: ‘Todos os times perderam a Libertadores para o Boca. Essa Libertadores é do Corinthians. Ninguém vai tirar a gente aqui dentro’’, lembrou.
E o resto você já sabe. O tio Kojak estava realmente certo. Com seu velho amigo e seu sobrinho, o Corinthians conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes daquele ano.
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