27/5/2020 08:27
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Veja como foi a discussão entre Neto e Benja que motivou longo processo na Justiça
Ex-jogador do Corinthians e apresentador dos canais "Fox Sports" foram envolvidos em ação que estava nos tribunais. Após nove anos, Neto perde e faz acordo com Benjamin Back
O ex-jogador Neto e o apresentador da "Fox Sports" Benjamin Back são dois dos comentaristas esportivos mais polêmicos do país. Após nove anos de disputa judicial, Neto perdeu, nesta terça-feira, um processo de danos morais que moveu contra Benja. Em 2011, o ídolo do Corinthians pediu indenização de R$ 50 mil.
Os apresentadores fizeram um acordo e Neto terá que pagar R$ 12,1 mil, valor referente a honorários, com correções. A "treta" é antiga e aconteceu antes mesmo da Justiça ser envolvida no caso. Em 2009, enquanto Benja e Neto, que ainda está na "Band", estavam na emissora, os dois discutiram feio sobre a possível convocação de Ronaldo Fenômeno para a Copa do Mundo de 2010.
No debate, Benja ri durante uma fala de Neto. A apresentadora Renata Fan precisou falar mais alto para acalmar os ânimos. Assista ao vídeo onde eles se desentendem:
Depois disso, foi uma chuva de declarações deles. Para Benja, o desentendimento é algo do passado e que o fez perder um ídolo (o apresentador é torcedor do Corinthians) e um amigo de profissão. Ainda em entrevista ao "UOL", em 2019, ele classifica o assunto como "morto", "acabado". Benja também conta que o ex-atleta pediu sua cabeça durante a rápida passagem do jornalista no canal.
Segundo o apresentador do programa "Os Donos da Bola", da "Rede Bandeirantes", Neto, não houve o tal pedido de demissão de Back e afirmou que apenas teria que não queria mais participar do programa "jogo Aberto" com Benjamin Back.
- Eu nunca quis que ele fosse mandado embora da "Band". Não pedi pra ele ser mandado embora da Band. Não fui eu que tive um problema com o Benjamin Back, ele que teve comigo. Ele me chamou de burro no ar. Um dia em uma discussão sobre o Ronaldo e Adriano, eu não concordei com a opinião dele e ele disse que eu era burro. Ele não falou burro, mas eu fiquei muito bravo com isso - relatou Neto, ao comentarista Alê Oliveira.
"Ambos, na verdade, são polêmicos e auferem vantagem com isso", disse a Justiça na sentença
Neto alegou que foi insultado com palavras como "pipoqueiro", "desprezível", "covarde e falso", "sem moral", entre outras. A defesa de Benja sustentou que "as críticas feitas ao autor não se dirigiram à pessoa, mas ao profissional", já que os comentários foram feitos durante o programa de rádio "Estádio 97".
Confira a sentença:
"Cuida-se de uma linha atual de profissionais da imprensa que se notabilizaram por criar um certo tipo de personagem que, aos olhos do público, exala coragem e ousadia.
Ambos, na verdade, são polêmicos e auferem vantagem com isso. São conhecidos e valorizados, por certa parcela da população, por sua agudeza. Assim, quando o réu utiliza as expressões que usou é certo que não se dirige ao homem José Ferreira Neto, mas sim ao personagem 'Neto', que, aliás, é o único que o público conhece. Com efeito, quando qualquer do povo escuta críticas ao autor, como aquelas feitas pelo réu, jamais pensa no cidadão José Ferreira que, aliás, sequer conhecem -, mas no comentarista 'Neto'.
Mesmo que os termos utilizados pelo réu tenham sido realmente excessivos, eles se dirigiram a esse personagem, ao comentarista 'Neto' e ao modo como ele age. Não é razoável acreditar que alguém, ouvindo tais comentários, os dissocie do comentarista e os associe ao cidadão. Pelo contrário, aqueles acostumados aos termos e jargões utilizados no meio em que vivem as partes sabem distinguir uma figura da outra.
É evidente que ao utilizar os termos "pipoqueiro", "desprezível", "covarde e falso", "sem moral", que "dá nojo" e que "não vale nada", o réu referiu-se ao comentarista Neto, não à sua pessoa. Da mesma forma que, quando se utiliza de termos fortes, inclusive quando ironicamente mencionou que era "tão burro", enquanto o réu seria "muito inteligente", quem o faz é o comentarista Neto, e não José Ferreira Neto.
O autor deve compreender que, como profissional da imprensa, a mesma regra que parece prejudicá-lo agora pode vir a beneficiá-lo no futuro, quando, ao fazer seus comentários, alguém se sinta moralmente ofendido. Enfim, quem escolhe a linha de conduta profissional que o autor escolheu não pode, de maneira incongruente, sentir-se ofendido quando outro age de maneira análoga."
Os apresentadores fizeram um acordo e Neto terá que pagar R$ 12,1 mil, valor referente a honorários, com correções. A "treta" é antiga e aconteceu antes mesmo da Justiça ser envolvida no caso. Em 2009, enquanto Benja e Neto, que ainda está na "Band", estavam na emissora, os dois discutiram feio sobre a possível convocação de Ronaldo Fenômeno para a Copa do Mundo de 2010.
No debate, Benja ri durante uma fala de Neto. A apresentadora Renata Fan precisou falar mais alto para acalmar os ânimos. Assista ao vídeo onde eles se desentendem:
Depois disso, foi uma chuva de declarações deles. Para Benja, o desentendimento é algo do passado e que o fez perder um ídolo (o apresentador é torcedor do Corinthians) e um amigo de profissão. Ainda em entrevista ao "UOL", em 2019, ele classifica o assunto como "morto", "acabado". Benja também conta que o ex-atleta pediu sua cabeça durante a rápida passagem do jornalista no canal.
Segundo o apresentador do programa "Os Donos da Bola", da "Rede Bandeirantes", Neto, não houve o tal pedido de demissão de Back e afirmou que apenas teria que não queria mais participar do programa "jogo Aberto" com Benjamin Back.
- Eu nunca quis que ele fosse mandado embora da "Band". Não pedi pra ele ser mandado embora da Band. Não fui eu que tive um problema com o Benjamin Back, ele que teve comigo. Ele me chamou de burro no ar. Um dia em uma discussão sobre o Ronaldo e Adriano, eu não concordei com a opinião dele e ele disse que eu era burro. Ele não falou burro, mas eu fiquei muito bravo com isso - relatou Neto, ao comentarista Alê Oliveira.
"Ambos, na verdade, são polêmicos e auferem vantagem com isso", disse a Justiça na sentença
Neto alegou que foi insultado com palavras como "pipoqueiro", "desprezível", "covarde e falso", "sem moral", entre outras. A defesa de Benja sustentou que "as críticas feitas ao autor não se dirigiram à pessoa, mas ao profissional", já que os comentários foram feitos durante o programa de rádio "Estádio 97".
Confira a sentença:
"Cuida-se de uma linha atual de profissionais da imprensa que se notabilizaram por criar um certo tipo de personagem que, aos olhos do público, exala coragem e ousadia.
Ambos, na verdade, são polêmicos e auferem vantagem com isso. São conhecidos e valorizados, por certa parcela da população, por sua agudeza. Assim, quando o réu utiliza as expressões que usou é certo que não se dirige ao homem José Ferreira Neto, mas sim ao personagem 'Neto', que, aliás, é o único que o público conhece. Com efeito, quando qualquer do povo escuta críticas ao autor, como aquelas feitas pelo réu, jamais pensa no cidadão José Ferreira que, aliás, sequer conhecem -, mas no comentarista 'Neto'.
Mesmo que os termos utilizados pelo réu tenham sido realmente excessivos, eles se dirigiram a esse personagem, ao comentarista 'Neto' e ao modo como ele age. Não é razoável acreditar que alguém, ouvindo tais comentários, os dissocie do comentarista e os associe ao cidadão. Pelo contrário, aqueles acostumados aos termos e jargões utilizados no meio em que vivem as partes sabem distinguir uma figura da outra.
É evidente que ao utilizar os termos "pipoqueiro", "desprezível", "covarde e falso", "sem moral", que "dá nojo" e que "não vale nada", o réu referiu-se ao comentarista Neto, não à sua pessoa. Da mesma forma que, quando se utiliza de termos fortes, inclusive quando ironicamente mencionou que era "tão burro", enquanto o réu seria "muito inteligente", quem o faz é o comentarista Neto, e não José Ferreira Neto.
O autor deve compreender que, como profissional da imprensa, a mesma regra que parece prejudicá-lo agora pode vir a beneficiá-lo no futuro, quando, ao fazer seus comentários, alguém se sinta moralmente ofendido. Enfim, quem escolhe a linha de conduta profissional que o autor escolheu não pode, de maneira incongruente, sentir-se ofendido quando outro age de maneira análoga."
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Postado por
Thiago martins De Almeida
-
51519 visitas - Fonte: Lance
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