O sotaque carioca na voz aguda de Fellipe Bastos se destaca na roda formada pelos jogadores minutos do Corinthians nos vestiários antes de a bola rolar. Ali, palavras de motivação e ordens táticas mexem com o emocional de quem vai ser titular. O que geralmente não é o caso do volante.
Aos 27 anos, Fellipe Bastos soma apenas cerca de dez minutos em campo na campanha do primeiro colocado do Brasileirão, entrando no fim das vitórias contra Santos e Atlético-MG – o Timão volta a pegar o Peixe neste domingo, na Vila Belmiro.
Um dos principais líderes do time, Bastos sabe que tem contribuído mais com palavras e exemplos do que com jogadas. Nem por isso, porém, faz cara feia para o técnico Fábio Carille.
– Já passei por muita coisa no futebol, aprendi muito, e sei que ficar de biquinho ou triste não traz benefício nenhum. O negócio é trabalhar e esperar a oportunidade. Porque ela realmente chega. Pedro Henrique e Moisés estavam no meu convívio, esperando chance e jogaram os últimos jogos – afirmou.
Hoje uma opção para a vaga de Maycon, Bastos está sempre sorrindo. Seja nos treinos, antes e depois dos jogos, nas redes sociais. A sensação é que nada abala o jogador.
– Futebol é alegria. Se você não está feliz, as coisas não acontecem em campo.
Enquanto usa sua influência de uma forma positiva perante ao grupo, Bastos observa o jeito de Fábio Carille trabalhar. Os exemplos, aliás, poderão ser replicados lá na frente.
– Por ser o primeiro ano dele como treinador, me surpreendi muito com o Fábio, que é muito inteligente. Ele e seus auxiliares têm me feito crescer, estão sempre mostrando vídeos, me fazendo evoluir. Penso em ser treinador e tenho aprendido com eles. Acho que posso conseguir êxito, sou muito de observar e escutar as pessoas. Mas isso é lá na frente, vou jogar uns dez anos ainda.
amizade com Jô
Os jogadores viraram amigos nos Emirados Árabes em 2015. Adversários em campo, eles passaram a disputar partidas de futevôlei juntos.
Em janeiro, com o centroavante já há dois meses no Corinthians, o volante foi convencido pelo amigo a aceitar a proposta do Timão. Hoje, eles dividem quarto na concentração, costumam viajar lado a lado no ônibus, trocam conselhos e se apoiam no dia a dia.
– Jô é meu melhor amigo no Corinthians. No início do ano, estávamos os dois sofrendo com a readaptação ao futebol brasileiro. Sempre conversava para ele relaxar, que as coisas iam acontecer. A vitória por 1 a 0 contra o Palmeiras (no Paulistão), com gol dele, foi o ponto de virada do time no ano e dele também. A confiança foi lá no alto. Hoje, ele que me pede tranquilidade, fala para eu seguir trabalhando e para seguir sendo esse cara feliz.
A discussão com Clayton
Sempre de alto astral, Fellipe Bastos pegou todo mundo de surpresa quando descarregou palavrões contra o atacante Clayton, há duas semanas, num treino.
No dia seguinte, o garoto rescindiu o empréstimo com o Timão e voltou ao Atlético-MG. Uma coincidência. Bastos admite, porém, que o erro foi seu.
– Todo mundo quer ganhar e aquela foi uma cobrança que eu faço nos treinos e que também recebo. Mas acabei me excedendo um pouquinho, pedi desculpas no vestiário depois. Nem sabia que ele ia embora, ficou parecendo que foi pela briga, mas não tem nada disso. Desejei toda sorte para ele. Naquele dia quem errou fui eu, me excedi na forma. Por ser um líder do time, não posso fazer isso. É mais uma coisa para aprender e não repetir.
Cobrança no WhatsApp
Fellipe Bastos foi um dos incentivadores da criação de um grupo entre os jogadores durante o Torneio da Flórida, nos Estados Unidos. Coube a Balbuena, outro líder do time, a função de ser o administrador do grupo.
Nele, os jogadores brincam e estreitam seus laços, mas também se cobram pelo título.
– A maturidade deste time é muito grande, a gente conversa e se cobra. Por mais que sete pontos seja uma distância boa, não podemos relaxar, não tem nada conquistado. Cássio está na Seleção e fica perguntando do treino no WhatsApp, como está a semana do clássico. Nós nos cobramos no grupo e no vestiário. Não podemos baixar a guarda, achar que tem algo conquistado, porque não tem. Temos de continuar nesta batida para conquistar logo o título – afirmou.
Vai jogar?
Bastos tem 13 jogos pelo Corinthians no ano, sendo seis como titular. Hoje candidato a substituir o jovem Maycon, de 19 anos, ele tem ainda a concorrência de Camacho na função. Mesmo assim, diz que seguirá trabalhando para que a sua hora chegue ainda nesta temporada.
– Vai pintar chance. Torço muito para os meus companheiros, não é da boca para fora. Nossa meta é que quem jogue esteja em alto nível. Torço, mas também quero jogar. Estou esperando minha chance, trabalho no dia a dia para que ela venha. Quando vier, vou aproveitar. Até o final do ano vou conseguir jogar, não sei se na Sul-Americana ou no Brasileirão, mas vou conseguir jogar.
tomara q esse vingue ainda,dizem q sabe bater bem falta