16/1/2018 11:31
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De último da fila a aposta do Corinthians na Copa SP: conheça a história de Bilu
Jogador lembra infância no bairro Capão Redondo e fala de sonhos no futebol
Foto: Ag.Corinthians
Rafael Bilu tinha apenas 11 anos quando realizou teste para ser contratado no Corinthians. Porém, a pouca idade na época não impede o meia-atacante de lembrar em detalhes o que se passou naquela tarde, no Parque São Jorge.
Ele concorria com cerca de 600 garotos por uma das 30 vagas nas categorias de base do clube e, além de ter de provar seu talento, precisou passar por um teste de ansiedade.
– Quando meu pai me falou que eram 600 candidatos, eu já fiquei meio para baixo. Mas vi que os garotos iam sendo dispensados, e eu ia ficando. Percebi que tinha chances de ficar. No último teste havia 50 moleques, e o professor passou que 30 entrariam. Passou 20, 25... o 30º nome foi o meu! – lembra o garoto.
Último da fila na peneira em 2009, Bilu foi ganhando espaço e titulos no Timão ao longo do tempo. Hoje, ele é titular do meio de campo da equipe que disputa uma vaga nas quartas de final da Copa São Paulo de Juniores a partir das 19h15 (de Brasília), desta terça-feira, contra o Avaí.
O jogador, que já balançou as redes duas vezes no torneio sub-20, falou de sua trajetória no futebol, seus sonhos e a expectativa de ganhar uma vaga no elenco profissional, em entrevista ao GloboEsporte.com. Confira abaixo:
GloboEsporte.com: Como foi o seu início no futebol?
Rafael Bilu: – Eu comecei jogar bola por causa do meu pai, seu Carlos*, que já era fanático por futebol. Desde pequeno ele me incentivava, mas sem a intenção de um dia eu ser profissional, era por diversão. Na rua de cima de casa tinha um campo de terra, e ele me levava lá de fim de semana, chamava os meus amigos e primos para jogar. Ele viu que eu jogava bem para a minha idade, tinha seis anos na época. Aí ele teve a ideia de me colocar na escolinha Chute Inicial do Corinthians. Entrei com sete anos, o dono da escolinha viu que eu tinha futuro e me levou para um teste no Corinthians no fim de 2009.
*Carlos é tio de Bilu, que não teve contato com o seu pai biológico
Você morava no Capão Redondo, periferia de São Paulo. Como era a vida?
– Normal para um garoto de periferia. Chegava da escola e jogava bola, empinava pipa. Assim que cheguei no Corinthians isso mudou um pouco, eu ia treinar três vezes por semana, o tempo com os amigos eram só de fim de semana. Tive dificuldades no começo, por morar na Zona Sul, e o Corinthians ser na Zona Leste. Às vezes, minha família não tinha dinheiro para a gasolina, tinha que pegar emprestado. Às vezes, deixava até de comprar o café da manhã. Minha família sempre foi unida, ajudavam meu pai, falavam que o que precisasse poderia contar com eles. Graças a Deus todo mundo entendeu a situação e ajudou a gente. Deram todo o apoio para eu chegar aqui. Valorizo muito isso, os donos da escolinha também, Fábio e Bruno, e também os amigos que me levavam para o Corinthians. Hoje tenho condição de ir e vir, até dar um carro melhor para o meu tio.
O que mudou no sua vida com a ida para o Corinthians?
– O que mais mudou foi minha vida financeira. No sub-11 eu ganhava R$ 200 e já achava muito, mas não podia ajudar a minha família como queria. No sub-13 eu ganhava R$ 500 e já ajudava a levar umas coisinhas para casa. No sub-15 passei a ganhar mais e ajudei meus pais a comprar algumas coisas para casa. Com essa mudança, vieram também algumas amizades que me atrapalharam um pouco, que estavam perto por interesse. Mas meu pai me alertou, ele sabe que eu tenho coração bom e gostava de gastar o dinheiro com meus amigos, comprar besteira... Graças a Deus, eu melhorei e soube diferenciar as amizades.
– No sub-15 eu consegui comprar um carro para ele, não luxuoso, de milhões, mas um carro simples, que iria ajudar. Era um sonho meu. Foi passando o tempo, o salário aumentando e pude ajudar minha família e quem precisava. Comecei a comprar o que eu queria. Graças a Deus hoje o que eu quero eu consigo comprar, graças a todo o esforço que eu fiz pelo Corinthians.
Quem são seus ídolos?
– Meu ídolo é meu pai, Carlos, que me deu toda força. Se estou no Corinthians é por ele e por Deus. Sei o esforço do meu pai, que desde pequeno correu por mim, me levava para o Corinthians mesmo sem ter dinheiro e fez de tudo para eu treinar.
Meu ídolo no futebol hoje, obviamente, é o Neymar, por ser o mais diferente do futebol brasileiro, rápido, habilidoso, que chama a responsabilidade para si e é um líder em campo. Tenho como meta na minha carreira jogar ao lado dele um dia
Quais são seus maiores sonhos?
– No futebol, meu maior sonho é jogar em alto nível num time grande europeu ou até mesmo brasileiro, poder conquistar Copa do Mundo, Liga dos Campeões... E meu sonho pessoal é casar, ter filhos, uma boa condição financeira, um carro e uma casa para que meus filhos e minha mulher não passem o que eu passei.
Pensa que pode ter uma chance no elenco profissional ainda neste ano?
– Acredito, sim, que um dia posso chegar no profissional. Mas para isso sei que hoje tenho que fazer valer a pena, mostrar a cada treino e a cada jogo que eu mereço ter chance. Essa Copa São Paulo para mim representa uma chance de mostrar para o Corinthians e para a torcida que eu posso chegar no profissional, ir para somar. Vou ajudar o time em tudo, com gols, assistências, marcando, com raça... Se um dia chegar eu chegar no time de cima, vou lutar para me firmar na equipe, ganhar títulos e deixar a torcida feliz.
Rafael Bilu tinha apenas 11 anos quando realizou teste para ser contratado no Corinthians. Porém, a pouca idade na época não impede o meia-atacante de lembrar em detalhes o que se passou naquela tarde, no Parque São Jorge.
Ele concorria com cerca de 600 garotos por uma das 30 vagas nas categorias de base do clube e, além de ter de provar seu talento, precisou passar por um teste de ansiedade.
– Quando meu pai me falou que eram 600 candidatos, eu já fiquei meio para baixo. Mas vi que os garotos iam sendo dispensados, e eu ia ficando. Percebi que tinha chances de ficar. No último teste havia 50 moleques, e o professor passou que 30 entrariam. Passou 20, 25... o 30º nome foi o meu! – lembra o garoto.
Último da fila na peneira em 2009, Bilu foi ganhando espaço e titulos no Timão ao longo do tempo. Hoje, ele é titular do meio de campo da equipe que disputa uma vaga nas quartas de final da Copa São Paulo de Juniores a partir das 19h15 (de Brasília), desta terça-feira, contra o Avaí.
O jogador, que já balançou as redes duas vezes no torneio sub-20, falou de sua trajetória no futebol, seus sonhos e a expectativa de ganhar uma vaga no elenco profissional, em entrevista ao GloboEsporte.com. Confira abaixo:
GloboEsporte.com: Como foi o seu início no futebol?
Rafael Bilu: – Eu comecei jogar bola por causa do meu pai, seu Carlos*, que já era fanático por futebol. Desde pequeno ele me incentivava, mas sem a intenção de um dia eu ser profissional, era por diversão. Na rua de cima de casa tinha um campo de terra, e ele me levava lá de fim de semana, chamava os meus amigos e primos para jogar. Ele viu que eu jogava bem para a minha idade, tinha seis anos na época. Aí ele teve a ideia de me colocar na escolinha Chute Inicial do Corinthians. Entrei com sete anos, o dono da escolinha viu que eu tinha futuro e me levou para um teste no Corinthians no fim de 2009.
*Carlos é tio de Bilu, que não teve contato com o seu pai biológico
Você morava no Capão Redondo, periferia de São Paulo. Como era a vida?
– Normal para um garoto de periferia. Chegava da escola e jogava bola, empinava pipa. Assim que cheguei no Corinthians isso mudou um pouco, eu ia treinar três vezes por semana, o tempo com os amigos eram só de fim de semana. Tive dificuldades no começo, por morar na Zona Sul, e o Corinthians ser na Zona Leste. Às vezes, minha família não tinha dinheiro para a gasolina, tinha que pegar emprestado. Às vezes, deixava até de comprar o café da manhã. Minha família sempre foi unida, ajudavam meu pai, falavam que o que precisasse poderia contar com eles. Graças a Deus todo mundo entendeu a situação e ajudou a gente. Deram todo o apoio para eu chegar aqui. Valorizo muito isso, os donos da escolinha também, Fábio e Bruno, e também os amigos que me levavam para o Corinthians. Hoje tenho condição de ir e vir, até dar um carro melhor para o meu tio.
O que mudou no sua vida com a ida para o Corinthians?
– O que mais mudou foi minha vida financeira. No sub-11 eu ganhava R$ 200 e já achava muito, mas não podia ajudar a minha família como queria. No sub-13 eu ganhava R$ 500 e já ajudava a levar umas coisinhas para casa. No sub-15 passei a ganhar mais e ajudei meus pais a comprar algumas coisas para casa. Com essa mudança, vieram também algumas amizades que me atrapalharam um pouco, que estavam perto por interesse. Mas meu pai me alertou, ele sabe que eu tenho coração bom e gostava de gastar o dinheiro com meus amigos, comprar besteira... Graças a Deus, eu melhorei e soube diferenciar as amizades.
– No sub-15 eu consegui comprar um carro para ele, não luxuoso, de milhões, mas um carro simples, que iria ajudar. Era um sonho meu. Foi passando o tempo, o salário aumentando e pude ajudar minha família e quem precisava. Comecei a comprar o que eu queria. Graças a Deus hoje o que eu quero eu consigo comprar, graças a todo o esforço que eu fiz pelo Corinthians.
Quem são seus ídolos?
– Meu ídolo é meu pai, Carlos, que me deu toda força. Se estou no Corinthians é por ele e por Deus. Sei o esforço do meu pai, que desde pequeno correu por mim, me levava para o Corinthians mesmo sem ter dinheiro e fez de tudo para eu treinar.
Meu ídolo no futebol hoje, obviamente, é o Neymar, por ser o mais diferente do futebol brasileiro, rápido, habilidoso, que chama a responsabilidade para si e é um líder em campo. Tenho como meta na minha carreira jogar ao lado dele um dia
Quais são seus maiores sonhos?
– No futebol, meu maior sonho é jogar em alto nível num time grande europeu ou até mesmo brasileiro, poder conquistar Copa do Mundo, Liga dos Campeões... E meu sonho pessoal é casar, ter filhos, uma boa condição financeira, um carro e uma casa para que meus filhos e minha mulher não passem o que eu passei.
Pensa que pode ter uma chance no elenco profissional ainda neste ano?
– Acredito, sim, que um dia posso chegar no profissional. Mas para isso sei que hoje tenho que fazer valer a pena, mostrar a cada treino e a cada jogo que eu mereço ter chance. Essa Copa São Paulo para mim representa uma chance de mostrar para o Corinthians e para a torcida que eu posso chegar no profissional, ir para somar. Vou ajudar o time em tudo, com gols, assistências, marcando, com raça... Se um dia chegar eu chegar no time de cima, vou lutar para me firmar na equipe, ganhar títulos e deixar a torcida feliz.
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Postado por
Juan Pereira Mendes
-
12090 visitas - Fonte: Globoesporte.com
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