6/5/2016 08:38
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'Futebol é a única coisa que conheço. Preciso voltar', diz Piá após prisões
Ex-meia de Corinthians, Santos, Cruzeiro e Ponte Preta foi detido por roubos a caixas eletrônicos. "Na cadeia, comecei a pensar no que minha vida havia se tornado", confessa o ex-jogador ao L!. Livre, ele busca um recomeço
Piá com a camisa da Ponte Preta, onde confessa ter maior identificação (Nelson Almeida/Lancepress)
A vida de Piá se tornou uma rotina de telefonemas. Antigos amigos do futebol, companheiros da velha guarda, gente com a qual não conversa há algum tempo. Uma rede de contatos diários. É cansativo porque mistura ansiedade e paciência. Aos 42 anos, o meia que passou por 20 clubes quer que uma porta volte a se abrir no mundo da bola. Para conseguir isso, não basta colocar na cabeça que os erros ficaram para trás. Ele tem de convencer os outros de que o passado não vai voltar.
Uma das principais revelações dos anos 90 do futebol paulista, chegou ao Santos em 1996 como futuro craque. Passou os 15 anos seguintes sabotando a própria carreira. Depois que se aposentou, em 2011, os 37 anos, por causa da diabetes, virou personagem de páginas policiais. Foi preso três vezes entre 2014 e 2015 por furtos de caixas eletrônicos.
- Na última vez, na cadeia, comecei a pensar no que minha vida havia se tornado. Ser privado da liberdade mexe com você, mas era mais que aquilo. Era aquela imagem que eu queria deixar? Precisar da ajuda da minha família na cadeia? Tudo por causa daquele dinheiro maldito? Decidi mudar. Futebol é a única coisa que eu conheço. Preciso voltar - disse o ex-jogador, em entrevista ao LANCE!
Piá fala sem receio dos erros. Foram vários e começaram há muito tempo. Em 1999, foi julgado e absolvido como coautor de um homicídio em Limeira. Ídolo da Ponte Preta em 2000 e 2003, era conhecido por estar sempre na noite. Andava armado. Foi detido também por porte de drogas.
- Com todos esses problemas que tive, mesmo assim joguei no Santos, Corinthians, Cruzeiro, Coritiba... Imagina o que eu teria conseguido se tivesse a cabeça no lugar. Já passou, mas às vezes penso nisso. Cada um que sabe a própria situação e porque faz as coisas - diz, quase que pesando em voz alta.
Piá considera ter sido aposentado pela doença. Acredita que, com saúde, ainda teria um par de anos pela frente. Poderia ganhar mais algum dinheiro. Obrigado a parar, passava os dias em casa, esperando convites para partidas de masters que rendessem trocados. Até que apareceu o chamado para disputar a Copa Kaiser, o mais importante torneio de várzea de São Paulo. Entre uma partida e outra, fez amizades, confessou estar com problemas financeiros e ouviu que os novos parceiros estavam planejando um golpe.
- Vai nos dar muito dinheiro - lhe prometeram.
O plano era entrar em caixas eletrônicos e, com algumas ferramentas simples, “pescar” envelopes com depósitos em dinheiro ou cheque feitos durante o dia. Parecia fácil demais. As três prisões em flagrantes mostraram que não era bem assim.
Piá levou às últimas consequências a velha história de garoto pobre que se deslumbra com o mundo do futebol e mete os pés pelas mãos. Mas a voz do ex-jogador muda quando fala da solidão que sentia mesmo quando era atleta profissional e estava cercado de mulheres e amigos. Casado hoje em dia, ele considera ter se metido sozinho nos problemas. E sozinho quer sair deles.
- Na minha vida, eu aprendi uma coisa: não ter medo de nada. Eu vim para o mundo sozinho. Cheguei ao futebol sozinho.
Solitário como quando chegou a Santos em 1996. O time havia sido vice-campeão brasileiro no ano anterior. Semanas antes da contratação, morava na mesma vila em que havia sido criado em Limeira, interior de São Paulo. Onde despontara para o futebol pela Internacional. Foi colocado pela diretoria do Peixe em um apartamento grande, em bairro nobre da cidade. Quando entrou no imóvel e abriu a cortina, viu que era de frente para o mar. Uma mudança e tanto para o garoto que até pouco tempo antes passava fome.
- Imagina o que foi para mim, aos 22 anos, chegar em Santos, morando sozinho. Time grande, dinheiro para fazer o que eu quisesse na hora que me desse na telha... Eu não quero passar ideia de tristeza, mas eu tinha vindo do nada e estava ali. Era muito. Dinheiro, mulheres, noite, tudo aquilo começou a mexer com a minha cabeça.
Tivesse aparecido no futebol de hoje, Piá possivelmente teria empresários, gente para cuidar da sua imagem, assessor de imprensa ou, como a linguagem usada atualmente, teria um “estafe” para gerenciar a carreira. Não é garantia de que as coisas dariam certo e há casos como os de Adriano Imperador para provar isso. Mas ele considera que as possibilidade de sair dos trilhos seriam menores.
Hoje em dia, ele ainda recebe pedidos para voltar ao futebol. Especialmente de torcedores da Ponte Preta, o clube em que passou mais tempo e onde considera ter maior identificação. Jogar não dá mais, mas ele tem planos. Fez curso de técnico em 2011, meses após ter pendurado as chuteiras. Afirma ter a qualificação necessária para começar, seja como auxiliar ou nas categorias de base. É esse o discurso que emprega para os amigos ou antigos conhecidos que recebem o seu telefonema.
- Eu só preciso que alguém abra uma porta. Até agora não abriu, mas vai acontecer. Conto com isso. Estou me aprimorando, estudando e melhorando a cada dia.
Enquanto isso, ele gasta os dias em uma escolinha em Araras, onde mora, ensinando garotos. Não tem medo da cobrança pelo passado ou ouvir que não é uma boa influência.
- O Piá, como jogador, foi uma pessoa muito ruim apenas para ele mesmo. Não para os outros. Eu não tenho medo do que possam falar. Sempre enfrentei tudo de frente. Sei que vai ser a maior dificuldade da minha vida. Mas não vou ficar com medo agora. Eu só quero voltar a fazer o que sempre fiz: viver do futebol.
E desta vez, apenas do futebol.
A vida de Piá se tornou uma rotina de telefonemas. Antigos amigos do futebol, companheiros da velha guarda, gente com a qual não conversa há algum tempo. Uma rede de contatos diários. É cansativo porque mistura ansiedade e paciência. Aos 42 anos, o meia que passou por 20 clubes quer que uma porta volte a se abrir no mundo da bola. Para conseguir isso, não basta colocar na cabeça que os erros ficaram para trás. Ele tem de convencer os outros de que o passado não vai voltar.
Uma das principais revelações dos anos 90 do futebol paulista, chegou ao Santos em 1996 como futuro craque. Passou os 15 anos seguintes sabotando a própria carreira. Depois que se aposentou, em 2011, os 37 anos, por causa da diabetes, virou personagem de páginas policiais. Foi preso três vezes entre 2014 e 2015 por furtos de caixas eletrônicos.
- Na última vez, na cadeia, comecei a pensar no que minha vida havia se tornado. Ser privado da liberdade mexe com você, mas era mais que aquilo. Era aquela imagem que eu queria deixar? Precisar da ajuda da minha família na cadeia? Tudo por causa daquele dinheiro maldito? Decidi mudar. Futebol é a única coisa que eu conheço. Preciso voltar - disse o ex-jogador, em entrevista ao LANCE!
Piá fala sem receio dos erros. Foram vários e começaram há muito tempo. Em 1999, foi julgado e absolvido como coautor de um homicídio em Limeira. Ídolo da Ponte Preta em 2000 e 2003, era conhecido por estar sempre na noite. Andava armado. Foi detido também por porte de drogas.
- Com todos esses problemas que tive, mesmo assim joguei no Santos, Corinthians, Cruzeiro, Coritiba... Imagina o que eu teria conseguido se tivesse a cabeça no lugar. Já passou, mas às vezes penso nisso. Cada um que sabe a própria situação e porque faz as coisas - diz, quase que pesando em voz alta.
Piá considera ter sido aposentado pela doença. Acredita que, com saúde, ainda teria um par de anos pela frente. Poderia ganhar mais algum dinheiro. Obrigado a parar, passava os dias em casa, esperando convites para partidas de masters que rendessem trocados. Até que apareceu o chamado para disputar a Copa Kaiser, o mais importante torneio de várzea de São Paulo. Entre uma partida e outra, fez amizades, confessou estar com problemas financeiros e ouviu que os novos parceiros estavam planejando um golpe.
- Vai nos dar muito dinheiro - lhe prometeram.
O plano era entrar em caixas eletrônicos e, com algumas ferramentas simples, “pescar” envelopes com depósitos em dinheiro ou cheque feitos durante o dia. Parecia fácil demais. As três prisões em flagrantes mostraram que não era bem assim.
Piá levou às últimas consequências a velha história de garoto pobre que se deslumbra com o mundo do futebol e mete os pés pelas mãos. Mas a voz do ex-jogador muda quando fala da solidão que sentia mesmo quando era atleta profissional e estava cercado de mulheres e amigos. Casado hoje em dia, ele considera ter se metido sozinho nos problemas. E sozinho quer sair deles.
- Na minha vida, eu aprendi uma coisa: não ter medo de nada. Eu vim para o mundo sozinho. Cheguei ao futebol sozinho.
Solitário como quando chegou a Santos em 1996. O time havia sido vice-campeão brasileiro no ano anterior. Semanas antes da contratação, morava na mesma vila em que havia sido criado em Limeira, interior de São Paulo. Onde despontara para o futebol pela Internacional. Foi colocado pela diretoria do Peixe em um apartamento grande, em bairro nobre da cidade. Quando entrou no imóvel e abriu a cortina, viu que era de frente para o mar. Uma mudança e tanto para o garoto que até pouco tempo antes passava fome.
- Imagina o que foi para mim, aos 22 anos, chegar em Santos, morando sozinho. Time grande, dinheiro para fazer o que eu quisesse na hora que me desse na telha... Eu não quero passar ideia de tristeza, mas eu tinha vindo do nada e estava ali. Era muito. Dinheiro, mulheres, noite, tudo aquilo começou a mexer com a minha cabeça.
Tivesse aparecido no futebol de hoje, Piá possivelmente teria empresários, gente para cuidar da sua imagem, assessor de imprensa ou, como a linguagem usada atualmente, teria um “estafe” para gerenciar a carreira. Não é garantia de que as coisas dariam certo e há casos como os de Adriano Imperador para provar isso. Mas ele considera que as possibilidade de sair dos trilhos seriam menores.
Hoje em dia, ele ainda recebe pedidos para voltar ao futebol. Especialmente de torcedores da Ponte Preta, o clube em que passou mais tempo e onde considera ter maior identificação. Jogar não dá mais, mas ele tem planos. Fez curso de técnico em 2011, meses após ter pendurado as chuteiras. Afirma ter a qualificação necessária para começar, seja como auxiliar ou nas categorias de base. É esse o discurso que emprega para os amigos ou antigos conhecidos que recebem o seu telefonema.
- Eu só preciso que alguém abra uma porta. Até agora não abriu, mas vai acontecer. Conto com isso. Estou me aprimorando, estudando e melhorando a cada dia.
Enquanto isso, ele gasta os dias em uma escolinha em Araras, onde mora, ensinando garotos. Não tem medo da cobrança pelo passado ou ouvir que não é uma boa influência.
- O Piá, como jogador, foi uma pessoa muito ruim apenas para ele mesmo. Não para os outros. Eu não tenho medo do que possam falar. Sempre enfrentei tudo de frente. Sei que vai ser a maior dificuldade da minha vida. Mas não vou ficar com medo agora. Eu só quero voltar a fazer o que sempre fiz: viver do futebol.
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fyamma
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