O futebol brasileiro tem time grande sem técnico, com técnico interino, com ex-interino, técnico que dirige dois times ao mesmo tempo, técnico líder com folga e com crise, técnico começando trabalho em... outubro. E apesar desse modus operandi caótico, somos brindados com uma semifinal de Copa Sul-Americana repleta de histórias maravilhosas para o jornalismo esportivo, seja lá quem chegue à final, Fortaleza e Corinthians . E talvez a história mais curiosa seja a que mostra como o futebol não é ciência, não tem fórmulas fixas: o Fortaleza fez tudo certo nos últimos anos, o Corinthians fez tudo errado em 2023, e ambos chegam ao conquistar, crescer, sem precisar gastar bilhões). Daí surge o perfil de Juan Pablo Vojvoda.
E aí todas as etapas foram sendo construídas: manutenção na elite sem riscos, chegada à Libertadores numa impressionante arrancada que termina no G-4 em 2021, criação de uma casca em competições continentais, além de títulos e campanhas locais que transformaram o Fortaleza no clube mais forte do Nordeste. E tudo isso brilhando no Brasileiro e nas competições continentais, com a pior das logísticas, com longas viagens semanais. Pelo que faz dentro e fora do campo, o time de Vojvoda é favorito contra o Corinthians - mas tem de jogar o jogo.
E o Corinthians? A bagunça, que muitos educadamente gostam de chamar de falta de convicção da diretoria, começou no fim de 2021 quando a diretoria recorre a Sylvinho, um técnico iniciante e que, portanto, precisava entre outras coisas, de respaldo. Eis que o jovem técnico brilha e classifica o Corinthians para a Libertadores. Aí começa 2022 e com três jogos e uma derrota para o Santos num pouco relevante Estadual, Sylvinho é demitido. Vitor Pereira é um acerto, sim, mas a montagem do elenco não passa por ele e termina num grupo envelhecido, repleto de jogadores com problemas físicos, que fez o português ter que equilibrar os pratos - mas consegue chegar às quartas da Libertadores e à final da Copa do Brasil.
Mas 2023 foi o supra-sumo da loucura. Para suprir a aventura de Vitor Pereira rumo ao Flamengo, a opção foi outro novato que precisava de suporte: Fernando Lázaro. O presidente Duílio Monteiro Alves talvez achasse que futebol se resolve em poucas semanas, mas posso garantir a ele que isso não acontece. Bastou Lázaro não ganhar o Estadual e... rua! Não satisfeito, Duílio arrumou um grave problema interno e outro para imagem do clube ao recorrer a Cuca. Não durou três jogos e, para acalmar as organizadas, chega um Luxemburgo que insiste se manter preso aos anos 90, consegue apenas ser um para-raio para a direção e deixa um legado de desordem tática. Isso sem contar que o interino Danilo teve de comandar o time num clássico contra o Palmeiras no Allianz Park, e que outro interino, Sidnei Lobo precisou comandar o time contra o São Paulo no Morumni. Mas, apesar de tudo isso, o Corinthians tem, com Mano Menezes, uma chance de ouro para retomar um improvável protagonismo no continente.
Estou ansioso para saber se o campeão será descrito pelas linhas certas ou pelas linhas tortas...



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