Muita coisa mudou do Renato Augusto que chegou ao Corinthians pela primeira vez em 2013, na época com 24 anos, para o meia que hoje veste a camisa 8 alvinegra. Atualmente com 34, o jogador viu não só a galeria de títulos e a idolatria no Timão crescerem, como também a própria família. Ele e a esposa Fernanda aguardam o nascimento de Mateo, segundo filho do casal.
Após anos na China, um ouro olímpico conquistado e uma Copa do Mundo disputada, Renato Augusto aceita com naturalidade um novo papel no Corinthians. Além de uma referência técnica, ele quer ser uma liderança moral:
– Procuro ser um espelho para os mais jovens, tanto fora como dentro de campo. Ser um líder para eles junto com os que já temos na equipe, Cássio, Fagner, Gil... então, tento me juntar a eles. Agora a volta do Balbuena, que é um um grande líder. Para que a gente possa apoiar quem está chegando ou quem tá subindo pro profissional, os mais jovens pra que possa subir o nível – disse o jogador, em entrevista ao Esporte Espetacular.
– Sei que hoje é diferente. Antes eu tinha uma responsabilidade única e exclusiva técnica, dentro de campo. E hoje a minha responsabilidade é um pouco maior pela história que você constrói dentro do clube, pela história que você acaba vivendo no futebol, de poder auxiliar os mais jovens, mas ao mesmo tempo tem que performar, responder dentro de campo. Então essa mudança existiu naturalmente, não me forcei a nada, aconteceu. E eu acho que esse é meu caminho daqui para frente, ter a responsabilidade não só dentro, mas também fora do campo – completou.
Ao mesmo tempo em que chama a responsabilidade, Renato tenta dividir o protagonismo da equipe, que viu a liderança do Brasileirão se distanciar, mas está a três jogos do título da Copa do Brasil.
Ao comentar a importância de outros atletas do elenco, o camisa 8 fez questão de exaltar Róger Guedes e falou sobre como tenta ajudá-lo:
– Com o tempo, você percebe que todos são importantes. Às vezes, você fica: "Ah, eu, eu tenho que fazer isso!" Como já aconteceu muitas vezes aqui. "Não, eu tenho que resolver. O jogo está difícil, eu tenho que pegar o jogo para mim." E não é assim. Então você começa a perceber que todos são importantes. E por isso falei do Róger. É um cara que, para mim, tecnicamente, é espetacular. Forte, finaliza, cabeceia bem, é rápido, tem tudo para ser esse grande jogador do time. Às vezes precisa de um empurrão, falar: "Cara, você tem... vai!" Eu acredito que possa ser esse líder técnico, ele é o cara que tem o drible, o um contra um. Ele já teve uma evolução desde que chegou, até agora. Esse ano ele teve uma troca, um crescimento, então acredito que possa crescer ainda mais.
– E ele é um cara que gosta de ouvir. Ele quer... Teve uma situação em um jogo, acho que contra o Ceará, ano passado, lá. E ele estava vindo buscar muito o jogo. Eu falei: "Guedes, o espaço está entre esse jogador e esse, vai lá!". E, na jogada seguinte ele foi, correu, não lembro quem jogou a bola pra ele no fundo, acho que o Giuliano enfiou a bola para ele no fundo, aí ele driblou para trás e fez o gol. Aí ele olhou para mim e falou: “É isso!”. E eu: "É isso."
Nesta entrevista, Renato Augusto também falou sobre a relação com Vítor Pereira, a lesão que o afastou por quase dois meses nessa temporada e as chances de ir à Copa do Mundo do Catar. Confira alguns trechos:
A primeira vez que você foi apresentado pelo Corinthians aqui, nessa sala ao lado, faz quase 10 anos. Foi em janeiro de 2013. Quase 10 anos depois, o que mudou no Corinthians e o que mudou no Renato Augusto?
– É difícil dizer. Eu acho que me tornei uma pessoa e um atleta melhor. Primeiro, foram três anos de muito aprendizado aqui, depois fui para a China, voltei, então me tornei um homem ainda melhor. O Corinthians me completou ainda mais, me trouxe de volta o que eu mais gosto de fazer, que é jogar futebol, jogar bem, em alto nível. E eu pude retribuir dentro de campo, com títulos e jogos, enfim. Acho que foi um casamento que deu certo. Claro, passa por momentos um pouco turbulentos, não tão bons quanto gostaríamos, mas, de uma forma geral, acho que deu certo.
Como é sua relação com Vítor Pereira?
– Normal, ué! (risos). Ele é o técnico. Mas temos uma relação boa, a gente conversa. Claro que nem sempre teremos a mesma ideia, mas o respeito e é tudo normal. Então não tem nada de... não tem essa de que o elenco não bate com o treinador. Ele é o treinador, ele é o chefe, ele decide e a gente faz o que ele quer. Então a gente procura até auxiliar em algumas coisas, agora ele até conhece muito mais, mas antes não conhecia tão bem o futebol brasileiro aqui. E eu sempre acho que todo treinador vai errar como todo jogador erra.
– O Vítor vem fazendo um bom trabalho, e não à toa chegamos nas quartas da Libertadores, perdemos para o melhor time hoje, estamos na semifinal da Copa do Brasil e vivos no Brasileiro. Então, de uma forma geral, está sendo boa.
Você ainda acredita que pode ser convocado para a Copa do Mundo do Catar?
– Acho que o que te credencia é fazer um grande trabalho no seu clube. Eu não posso estar com a cabeça na final da Copa do Brasil, por exemplo, se eu não passei da semi. Tem que sempre pensar no próximo passo. Primeiro é terminar essa temporada muito bem, conquistar um título se possível, porque isso também te credencia para uma convocação. É algo que você aprende com o tempo, hoje estou mais focado nisso.
– Antes, quando tinha possibilidade de Seleção, eu ficava, pô, tenho que fazer alguma coisa diferente. Não, você tem que fazer o que sempre faz. Ah, mas o treinador pode estar vendo, melhor fazer alguma... Não, você nunca faz isso, ele te veio ver pelo o que você sempre faz. Então minha cabeça mudou muito enquanto a isso, procuro fazer o meu trabalho bem feito. Se tiver a oportunidade, estarei preparado. Se não tiver, vou seguir igual, o Tite é um cara que eu respeito muito.
– Sou muito grato a ele, me fez chegar no meu ápice técnico aqui no Corinthians, um momento incrível. Meu carinho e respeito vão ser sempre iguais. Eu nem sabia que ele estava (no Maracanã). Fico feliz de ele estar acompanhando, mas claro que não foi só para me ver, mas como outros do Corinthians e do Fluminense.
Como está a expectativa para o nascimento do filho?
– A princípio, ele nasce no início de janeiro. Eu fico bobão, né? Eu sou... eu adoro. No nascimento do meu primeiro filho, o Romeo, eu fiquei muito pouco tempo com ele. Foi praticamente pré-Copa, fiquei muito tempo fora, então não acompanhei muito esse início do recém-nascido. Então dessa vez vou poder estar mais próximo, é uma coisa que tem me deixado mais... acompanhar mais também. A gente está vivenciando cada momento.
– No Romeo, não peguei o final da gravidez, vim só para o parto, então algumas coisas eu não peguei, Dessa vez, estou aproveitando cada minuto. E aí, quando você já tem o primeiro, você sabe que passa muito rápido. O Romeo... ah, vai ter uma viagem. Eu ia pra uma viagem, voltava, nascia um dente. Falava: "Não é possível, eu só fiquei dois dias fora, estava viajando!" Aí tinha um outro jogo, saía, voltava e dava o primeiro passo. "Como assim, pô?! Eu saí, estava engatinhando!" Então tudo muito rápido. Eu quero aproveitar cada minuto, cada segundo.
Corinthians, 2022, Renato Augusto
TREINADOR BURRO NÃO SABE O QUE É O FUTEBOL BRASILEIRO PÔR SER MUITO BURRO e NÃO SABE ESCALAR O TIME ESPERO QUE NÃO RENOVE PARA O ANO QUE VÊM E MUITO BURRO E TEIMOSO