29/7/2022 09:50

Dívida do Corinthians com a Caixa ultrapassa 600 milhões!

Entenda as condições e os detalhes do novo acordo do clube com o banco

Dívida do Corinthians com a Caixa ultrapassa 600 milhões!
Pilhas de papéis se amontoaram sobre uma ampla mesa num renomado escritório de advocacia da capital paulista na última segunda-feira. Ao redor delas, o clima era de confraternização entre executivos da Caixa Econômica Federal e representantes do Corinthians. Após anos de disputa judicial, trocas de farpas em público, negociações e muita espera, o novo contrato de financiamento da Neo Química Arena foi assinado.



Não se tratava de um acordo qualquer, o que explica a celebração com champanhe ao final da reunião. O brinde, porém, não contou com o presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, que saiu antes para acertar os últimos detalhes da contratação do volante Fausto Vera.

Para que o acordo saísse, Caixa e Corinthians cederam. O banco ampliou prazos, ofereceu carência para início do pagamento e negociou taxas consideradas excelentes pelo outro lado. Já o Timão, que tinha dado a sede de seu clube social como garantia no primeiro contrato, agora concordou em oferecer também as receitas com direitos de transmissão de TV e vendas de jogadores.

Embora seja assunto entre corintianos e torcedores de outros clubes há mais de uma década, o tema gera dúvidas. Afinal, de quanto é a dívida? Até quando o Corinthians terá de pagá-la? Qual será o valor total da Arena?

Como o contrato é sigiloso, nem todas as perguntas têm resposta. Porém, abaixo o ge apresenta o que já apurou sobre o acordo entre o clube e a Caixa e esclarece as principais dúvidas sobre o assunto:

Por que um novo acordo foi necessário?

Ainda em 2016, o Corinthians suspendeu o pagamento das parcelas do financiamento obtido com a Caixa por alguns meses. O problema foi resolvido temporariamente, mas em 2018 começaram a surgir notícias de que o banco pretendia executar as garantias do contrato. No ano seguinte, alegando atraso em seis prestações, a estatal moveu uma ação contra o clube na Justiça.

Com o assunto nos tribunais, o Corinthians suspendeu os pagamentos de vez e passou a trabalhar por uma novo acordo.

Em sua contabilidade, a Caixa já havia "provisionado a zero" o empréstimo dado ao Corinthians. Em outras palavras, o banco já não contava com aquele dinheiro de volta. Mesmo assim, decidiu negociar para tentar recuperá-lo.

Quanto dinheiro o Corinthians tomou emprestado?
Em 2013, o clube fechou um financiamento de R$ 400 milhões para a construção de seu estádio.

Inicialmente, a operação aconteceria via Banco do Brasil. Por fim, ficou acertado que o empréstimo seria do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) e intermediado pela Caixa, por meio do programa ProCopa Arenas, com condições especiais devido ao Mundial de 2014.

Quanto o Corinthians já pagou?

O clube diz que repassou cerca de R$ 165 milhões à Caixa.

De quanto é a dívida atualmente?

R$ 611 milhões.

Pode parecer confuso, afinal, como o Corinthians tomou R$ 400 milhões, pagou R$ 165 milhões e hoje deve R$ 611 milhões?

A resposta pode ser dada com uma única palavra: juros.

Como já era previsto, o valor sofreu correções previstas em contrato e aumentou nos últimos anos.

Como será o pagamento com esse novo acordo?

O Corinthians terá até 2041 para quitar o financiamento.

A Caixa ofereceu uma carência até o fim deste ano. Os pagamentos começarão em 2023, quando o Timão arcará apenas com os juros sobre a dívida de R$ 611 milhões. Já a partir de 2025, o clube também terá de pagar o chamado "principal", que é a parte da parcela destinada para reduzir o valor financiado inicialmente.

As prestações serão pagas a cada três meses.

Inicialmente, o financiamento tinha prazo de somente 180 meses. Agora, são 216 (entre janeiro do ano que vem e dezembro de 2041).

Qual será o valor das parcelas?

Essa resposta é impossível de ser dada com precisão, mas há uma previsão

Isso porque o valor da dívida (R$ 611 milhões) é corrigido anualmente pela taxa de CDI (atrelado à Selic, que atualmente é de 13,25%) + 2%.

A própria diretoria do Corinthians tem as suas projeções e as apresentou ao Conselho Deliberativo do clube em 27 de junho.

Vale lembrar que ao longo dos anos existe inflação, que nada mais é do que o aumento geral nos preços de bens e serviços. Da mesma forma que o valor da parcela do financiamento irá subir por conta dos juros, a arrecadação do Corinthians com bilheteria e outras propriedades da Arena também irá aumentar. Os naming rights pagos pela Hypera Pharma, por exemplo, são corrigidos pelo IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado).

Lembre-se: R$ 100 milhões em 2040 valerão bem menos do que R$ 100 milhões nos dias atuais.

Qual será o custo total da Arena?
Outra resposta que só poderá ser dada com precisão no futuro. Se somar todas as parcelas do gráfico acima, você obterá o resultado de R$ 1,5 bilhão. Lembre-se que o Corinthians já pagou R$ 165 milhões à Caixa. Mas também não esqueça da inflação e que R$ 1 ou R$ 1 bilhão em 2041 não terão o mesmo poder de compra que têm em 2022.

A Construtora Odebrecht, responsável pela obra, cobrou R$ 985 milhões.

Uma parte desse montante foi paga com o financiamento da Caixa e a outra com CIDs. Tratam-se dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo para empresas que investem na Zona Leste, em obras de infraestrutura das mais diversas espécies. No caso do Corinthians, uma contrapartida aos benefícios trazidos à economia da região pelo estádio e pela abertura da Copa do Mundo em 2014.

Os CIDs podem ser usados para abater parte do valor pago com impostos municipais, como IPTU, ISS e ITBI.

Inicialmente, o Corinthians recebeu R$ 420 milhões em CIDs, mas estes papéis se valorizam com o passar do tempo.

Qual a importância dos naming rights?
Enorme! O Corinthians acredita que será possível pagar mais da metade da dívida com a Caixa com o dinheiro recebido por essa propriedade.

O acordo com a Hypera Pharma foi assinado em 2020 por R$ 300 milhões, a serem pagos ao longo de 20 anos. Porém, o saldo do contrato é corrigido anualmente pelo IGPM (que em 2021 foi de 17,78%) e atualmente é estimado em R$ 400 milhões.

Repare que o índice que corrige o valor dos naming rights (IGPM) é diferente daquele que reajusta as parcelas da Arena (CDI, cujo valor é sempre próximo à taxa Selic). Nos últimos anos, a diferença foi vantajosa ao Corinthians, mas pode não ser sempre assim.

– O IGPM tem uma componente forte de variação cambial. De 2020 para cá o câmbio teve um salto grande e tivemos períodos de Selic irreal, muito abaixo do valor justo para o perfil econômico brasileiro. Quando há dois índices diferentes sempre há risco de descasamento. Para o bem e para o mal – explicou César Grafietti, economista e sócio da consultoria Convocados.

O novo acordo é positivo para o clube?
Há prós e contras, como explica Grafietti:

– Tem um lado bom que é organizar o pagamento, deixando uma folga de caixa no curto prazo. Em compensação será um longo período de consumo de caixa, porque os naming rights pagam uma parte, a bilheteria paga outra, e ainda tem manutenção. No longo prazo seguirá um fardo financeiro, que pode ser compensado se trouxer benefícios esportivos.

Conselheiro da oposição do Corinthians, Rozallah Santoro, que é formado em Engenharia pós-graduado em Mercado Financeiro, aponta desvantagens no novo contrato com a Caixa:

– O que mais chama a atenção de quem analisa é a questão da indexação. A gente tinha uma dívida com a Caixa que tinha como base a linha de incentivo para os estádios da Copa, que tinha uma taxa de juros contratual de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) + 3,6% ao ano. E foi renegociada para CDI (Certificado de Depósito Interbancário) + 2%. Para dar uma ideia do impacto, o primeiro ano de projeção de TJLP + 3,6% ficaria na casa de 10,5% ao ano. O CDI para esse ano já está nos 13,5%. Com mais 2%, ele está nos 15,5%. Então são 5% a mais de juros por ano.

Já na direção do clube não há dúvidas de que o Timão fez um bom negócio. Em publicação no Twitter, Duilio Monteiro Alves tratou o acordo como uma vitória, a qual dividiu com Andrés Sanchez, antecessor dele na presidência alvinegra.

Segundo Wesley Melo, diretor financeiro do Corinthians, o estádio é autossustentável, e o clube não precisará tirar dinheiro de seu caixa para pagá-lo. Ele admite que não será fácil ficar tanto tempo sem a receita, de bilheteria (ou pelo menos a maior parte dela), mas explica o prazo longo do financiamento:

– Esse prolongamento foi importante para deixar um fluxo de pagamento factível, que a gente consiga honrar. Não adiantaria nada fazer acordo que depois tivesse dificuldade de honrar, não essa, mas as próximas gestões do clube. O compromisso é do Corinthians, não de quem está na cadeira. Foi necessário colocar esse prazo mais longo para deixar todo mundo satisfeito e confiante do pagamento: torcida, imprensa, oposição, Caixa, todo mundo.



Corinthians, 2022, Caixa, Neo-Química Arena


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Sebastiao Godoi     

O edynaldo leite você é gozador você quer gozar entra debaixo dê um jumento aí você vai ver como acaba seu jumento safado

Eridan Silva     

Foi pego 400 milhões mas hj en dia ta esse valor pq tem juros

Eridan Silva     

Edynaldo leite 400 milhões o resto e so juro

Edynaldo Leite     

Isso na verdade é um deboche com a cara dos brasileiros, quase um bilhão só dos cofres públicos, más como disse um ex jogador que adora meninas de tromba pra que hospitais kkkkkk

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