6/7/2022 09:25

Um dos jogadores mais odiados da Argentina, Benedetto bateu o quinto pênalti contrariado pelo treinador

Atacante do Boca Juniors foi o grande vilão da eliminação diante do Corinthians na Libertadores

Um dos jogadores mais odiados da Argentina, Benedetto bateu o quinto pênalti contrariado pelo treinador
A derrota para o Corinthians castigou forte o atacante Darío "Pipa" Benedetto. No seu jogo de número 100 pelo Boca Juniors, ele saiu da Bombonera sem nada e com a carga de ser o vilão da queda ante o Corinthians.



Além dos erros no tempo normal (uma chance mano a mano e uma cobrança de pênalti), sua série de más escolhas incluiu um pedido junto à comissão técnica. Antes da decisão por pênaltis, ficou definido que ele cobraria o terceiro na decisão de ontem contra o Corinthians. Assim determinava a lista elaborada pelo técnico Sebastián Battaglia e Juan Krupoviesa, seu ajudante.

Benedetto cobraria o terceiro, e Villa, o quinto. Por um pedido do centroavante, houve a inversão, com Villa assumindo a terceira cobrança, e Benedetto, depois do seu pedido, ficando com aquele que poderia fechar a série.

No fim, Villa e Benedetto erraram. O técnico Sebastián Battaglia foi duramente criticado por permitir a troca depois do erro do camisa 9 no tempo normal. Na entrevista coletiva depois da partida, ele argumentou dizendo que acreditou na confiança transmitida por Benedetto, convincente ao solicitar a troca.

Nas análises posteriores à derrota em Buenos Aires, foi resgatada a semifinal da Libertadores de 2004 entre River x Boca. Técnico xeneize de então, Carlos Bianchi aceitou o pedido de dois juvenis (Álvarez e Ledema) para cobrar as penalidades, e ambos acertaram e classificaram o Boca. Desta vez, o medalhão Benedetto, o jogador mais badalado e caro do elenco, quis fazer o mesmo e falhou.

A cara (folgada) da derrota

Benedetto é chamado na Argentina de "Pipa" pelo formato do nariz, lembrando um cachimbo. É a deixa para que muitos dos seus detratores afirmem que ele é "infumable", o famoso "intragável".

Aos 32 anos, com passagens por seleção argentina e Europa, ele é um dos jogadores mais rejeitados do país.

No mês passado, ele foi afastado do time por faltar a um treinamento e ser flagrado em uma boate. Sua importância em campo ficou em segundo plano perante a necessidade de dar exemplo aos mais jovens.

Em fevereiro, o Boca afastara os meio-campistas Agustín Almendra (22 anos) e Alan Varela (20) por indisciplina. Enquanto Almendra treina com as divisões de base até agora, Varela voltou à equipe e é um dos destaques da nova safra xeneize.

Depois de o técnico Battaglia anunciar a punição a ambos, Benedetto deu uma áspera entrevista detonando os dois jovens, o que causou um verdadeiro espanto pela maneira rude e soberba de se referir publicamente a dois jovens colegas de time.

Na ocasião, o atacante proferiu uma frase que "caiu na sua testa" quando foi afastado: "O Boca é muito grande para ficar de bagunça por aí".

A torcida do River, claro, está celebrando o erro de Benedetto com um sabor especial. Ninguém esquece a língua de fora para debochar do lateral Montiel depois do gol que abriu o placar da decisão da Libertadores de 2018, em Madri. O Boca saiu na frente com o gol do "Pipa", mas levou a virada do River e Benedetto, como ontem, saiu de campo chorando.

Esteve no radar do Corinthians

O desfecho de ontem tem mais um "quê" de ironia, pois Benedetto foi sondado para ser reforço do Corinthians no ano passado. O argentino estava no nanico Elche, da Espanha, e despertou interesse de São Paulo e Corinthians, que buscavam um camisa 9 bem ao seu estilo.

O camisa 9, porém, optou por voltar ao Boca, que pagou 5,5 milhões de euros (R$ 30,31 milhões) ao Olympique de Marselha (que havia desembolsado 16 milhões de euros por ele em agosto de 2019).

A volta de Benedetto ao Boca foi marcada pelas juras passionais que costumam ser a tônica das apresentações dos jogadores de expressão no futebol argentino. Darío disse que "decidiu com o coração", que o "Boca é o clube que ele ama, e que prometeu voltar e que lá estava", entre outros elogios aos torcedores, ao Boca e a Juan Román Riquelme, hoje comandante do futebol xeneize.

O atacante dizia abertamente que não vai fugiria da responsabilidade de conduzir o Boca ao seu sétimo título Libertadores e buscar vingança pela derrota na final de 2018 para o River.



Corinthians, 2022, Libertadores, Benedetto


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