O Corinthians recebeu quase 35 mil torcedores no último sábado na Neo Química Arena após dois jogos longe de seus domínios e fez o que deveria fazer: venceu o penúltimo colocado Juventude por 2 a 0, com um gol no início e outro no final, e retomou a liderança do Campeonato Brasileiro.
O primeiro ponto a ser destacado, antes de mais nada, é a escalação mandada a campo por Vítor Pereira. Contra o Cuiabá, a análise realizada por aqui apontou o treinador como o pior “em campo”, mas, no jogo deste sábado, ele não tentou fazer nada além do básico. E foi bem.
A formação em 4-3-3 apresentou uma linha com Rafael Ramos, Gil, Raul Gustavo e Fábio Santos, bem postada, com Fábio recuando mais e Rafael indo mais ao ataque, tanto que a jogada do gol nasceu por ali, logo aos dois minutos.
Após bela tabela entre Adson e Giuliano, a bola ficou com o português, que cruzou na área e o camisa 28 abriu o marcador. Passes rápidos continuaram a ser realizados, com tabelas e triangulações treinadas.
Aí vamos para o segundo ponto: entrosamento. Essa escalação inicial, sem “invenções”, mostrou que o Corinthians tem, sim, uma equipe-base.
Equipe-base em relação ao estilo, não aos nomes, afinal, Fagner, João Victor e Maycon estavam entre os desfalques e eles são/podem ser titulares, assim como Lucas Piton, que depois acabou entrando e fez as vezes de ala pela esquerda.
Resumindo: é preciso jogar dessa forma (rápida, objetiva, ágil, sabendo onde cada um está e com triangulações mirando o gol), independentemente de quem esteja ocupando as posições - e sem sofrer. O Corinthians não sofreu contra o Juventude.
Sim, tudo bem, o time tem a pior defesa do Campeonato Brasileiro (19 gols tomados), está na penúltima colocação e só venceu duas vezes. Mas e daí? O time sofreu contra o Cuiabá (e perdeu) e contra o Atlético-GO (e venceu, mas jogando mal).
Neste sábado, foi possível ver, sim, evoluções em relação a outros jogos. Foram poucas as chances criadas do outro lado, quase nenhuma, na verdade. Ainda assim, um ponto negativo é que o Alvinegro poderia ter matado o jogo já no primeiro tempo, o que não aconteceu - Vítor Pereira também chamou atenção para isso.
Na etapa complementar, o Juventude voltou um pouco mais ligado, mas, com menos qualidade técnica, pouco (ou quase nada) incomodou o gol de Cássio. Vítor Pereira realizou algumas modificações, com as entradas de Cantillo, Mantuan, Roni e Lucas Piton.
Assim, a equipe recuou um pouco os laterais Rafael Ramos e Fábio Santos, enquanto Mantuan e Piton avançaram mais pelos lados. E deu certo: aos 38, o camisa 31 recebeu na direita e chutou devagarzinho, colocado do lado direito do gol de César, para ampliar e fechar a conta.
Não foi uma grande aparição, mas foi melhor que as dos últimos dois jogos, com certeza. Um ponto importantíssimo foi a presença da torcida, já que nos últimos compromissos o Timão estava longe de casa - mas, convenhamos, não dá para "depender" tanto assim desse fator.
Esse resultado dá um ânimo a mais para o trabalho de Vítor Pereira, que, depois da derrota para o Cuiabá, ainda passou pelo episódio de Jô. O treinador ainda está tendo que lidar com mais esse ponto para fazer seu time jogar, encontrando alternativas. É muito trabalho para pouco tempo e com o carro andando, mas está fluindo.
O importante é ter, sempre, uma evolução, por menor que seja, diante dessas circunstâncias. E não estar com o carro parado, como pareceu estar nas duas últimas partidas. Na quarta, o Corinthians visita o Athletico-PR, na Arena da Baixada.
Corinthians, 2022, Campeonato Brasileiro
Evoluiu,pelo ao menos não perdeu para o "adversário frágil".