Os dois clubes de maior torcida do Brasil estreiam na noite desta terça-feira na Taça Libertadores da América. Flamengo e Corinthians estão em grupos com dificuldades diferentes, e é importante entender que tipo de adversário os espera na corrida para chegar ao mata-mata.
Flamengo
O rubro-negro é um dos favoritos ao título. Possui um dos melhores elencos e tem jogadores acostumados a decidir. Chegou em duas das últimas três finais e tem sido certeza de futebol ofensivo e muitos gols na Libertadores. Como cabeça-de-chave do Grupo H, terá Sporting Cristal, Universidad Católica e Talleres como oponentes.
Tecnicamente o melhor time é o chileno. É o atual tetracampeão local, mas o início da temporada não é bom. Possui mais derrotas do que vitórias em nove jogos e está distante da liderança após oito rodadas. Perdeu também a final da Supercopa do Chile para o Colo-Colo, em janeiro.
O time é treinado pelo argentino Cristián Paulucci, que era auxiliar e assumiu na temporada passada. Na ocasião, os Cruzados estavam em 5º e, após 12 vitórias nos últimos 14 jogos, sagraram-se campeões nacional numa arrancada impressionante. Atualmente o comandante vem sendo muito pressionado.
O centroavante Fernando Zampedri é o destaque. Homem de boa movimentação na área e finalização precisa. O ponta Diego Valencia é rápido e habilidoso pela esquerda, e o experiente Felipe Gutierrez acrescenta bons passes na faixa central do gramado. Leiva é outro meio-campista que merece atenção.
A Católica é uma equipe de posse de bola. A partir de seu 4-3-3 gosta de circular com calma no campo de ataque até abrir os espaços, mas tem faltado precisão e intensidade para isso. Defensivamente sofre bastante quando o adversário encaixa contra-ataques. Falta mais competitividade ao longo dos 90 minutos.
O Sporting Cristal é o adversário da estreia, na noite desta terça, e mudou pouco em relação ao ano passado. Foi vice-campeão peruano em 2021, mas é outro rival rubro-negro em má fase. Está na metade de baixo da classificação da Liga Peruana.
O técnico segue sendo o experiente colombiano Roberto Mosquera, que já foi campeão nacional pelo clube, mas não vive o seu momento de maior prestígio. No cenário local, costuma buscar a imposição a partir da posse de bola e explora bastante os flancos do campo. Mantém os pontas bem abertos e os meias se aproximam para tabelas e triangulações. Joga no 4-3-3.
Os destaques são dois atletas da seleção peruana. O meia-atacante Christofer Gonzáles, muito rápido e agressivo, e o meio-campista Yotun, ex-Vasco da Gama. Vale ficar de olho em Hohberg e Calcaterra também, nomes de boa técnica. Diante do Flamengo certamente será um time mais reativo, mas possui problemas de intensidade e posicionamento defensivo, sobretudo na última linha.
Já o Talleres provavelmente será o adversário a causar mais dificuldades ao rubro-negro. Não é melhor tecnicamente que a Universidad Católica, mas possui um time mais competitivo e seguro defensivamente. É uma equipe com força física para levar os jogos a um cenário que não deixa os cariocas confortáveis.
Na parte técnica a diferença é grande, e igualar a intensidade e a concentração dos argentinos é de suma importância para o Flamengo poder se sobressair com certa tranquilidade. O início de temporada do clube de Córdoba não é bom, tanto que o técnico Guillermo Hoyos foi demitido depois de apenas seis jogos.
O português Pedro Caixinha chegou para substituí-lo. De carreira consistente no futebol mexicano, ele pode promover uma transformação na maneira de jogar da equipe, mas isso demanda tempo, e só deve aparecer com mais naturalidade daqui a algumas semanas.
O ponta colombiano Diego Valoyes merece atenção. Era o destaque da equipe quando o atual técnico do Internacional, Alexander Medina, a comandava. Jogador de muita velocidade e dribles insinuantes pelo flanco direito. O uruguaio Michael Santos é oportunista e um perigo na área rival.
Corinthians
O Timão volta à Libertadores com muitos desafios internos e externos para fazer uma boa campanha. Internamente precisa conviver com os problemas de intensidade provocados por um elenco desequilibrado fisicamente. Em jogos de maior exigência, o time não consegue dar a resposta ao longo dos 90 minutos.
Externamente vai revisitar seus confrontos históricos com o Boca Juniors, cabeça-de-chave do Grupo E, além de encarar a altitude boliviana contra o Always Ready e bater de frente com o irregular time do Deportivo Cali. Uma chave que não é simples.
O Boca Juniors que deixou péssima impressão na última Libertadores não existe mais. O time ganhou o comando do ex-volante Sebastián Battaglia, histórico no clube, e cresceu em alguns aspectos. Pelo bom elenco que tem, ainda pode melhorar e apresentar um repertório ofensivo mais extenso, mas vive momento melhor que o do Corinthians.
Battaglia costuma escalar a equipe no 4-3-1-2, com losango no meio-campo. O ótimo Dario Benedetto é o centroavante e geralmente atua ao lado do colombiano Villa na frente. Óscar Romero, irmão de Ángel Romero, ex-ponta corintiano, faz parte do plantel. O sistema defensivo conta com diversos bons nomes também.
Passando para o adversário da noite desta terça-feira, na altitude de La Paz, o Always Ready terá como trunfo aquilo que basicamente todo time boliviano faz em casa. Busca aproveitar os efeitos físicos gerados nos adversários que ''sobem o morro'' para pontuar. Acelera o jogo, se utiliza de muitos chutes de fora da área e bolas alçadas na área.
Na parte técnica e tática há pouco a destacar da equipe que foi vice-campeã boliviana na temporada passada. Sebastian ''El Loco'' Abreu enfim se aposentou dos gramados e virou o treinador do time. No atual campeonato local, a campanha é irregular e os problemas defensivos são bem visíveis.
O brasileiro Kelvin integra o elenco que possui diversos nomes de destaque do futebol boliviano, mas que já viveram momentos melhores. Chumacero, Rodrigo Ramallo, Arce e Cristaldo são alguns deles. No ataque, o centroavante Marcos Riquelme tem muita presença de área.
O Deportivo Cali será o adversário do Corinthians na quarta-feira da próxima semana, e teve uma queda grande de desempenho do ano passado pra cá. De campeão nacional em dezembro de 2021 a candidato a rebaixamento após 13 rodadas na atual edição. O técnico segue sendo o venezuelano Rafael Dudamel.
Téo Gutierrez e Yoni González são os nomes mais conhecidos. O primeiro deles foi desejado durante um tempo pelo Timão. O segundo não deixou saudades no clube. A equipe perdeu alguns jogadores importantes no elenco em relação ao ano passado, e não soube lidar tão bem com isso. Andrés Colorado, contratado recentemente pelo São Paulo, é um deles.
Dudamel costuma escalar o time num 4-2-3-1. Deve ter um caráter mais reativo na Libertadores. Com a bola, sofre demais para achar soluções criativas e depende de lampejos individuais de atletas que não vivem um bom momento. Defensivamente consegue ser mais competitivo, mas não apresenta tanta eficiência nos contragolpes.
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