10/6/2019 12:04

William 'Capita' conta saída dos gramados para o mercado financeiro, época de Corinthians, Mano Menezes e seleção brasileira

William Machado de Oliveira, mais conhecido – principalmente por corintianos – como ‘Capita’. Ex-zagueiro, capitão, campeão por onde passou, gerente de futebol, comentarista esportivo e agora, aos 42 anos, 'especialista' em aposentadoria e assessor financeiro de jogadores de futebol.



O craque da defesa nascido em Belo Horizonte começou a carreira de profissional em times menores do interior de Minas Gerais, até que chegou ao Grêmio, em 2006, com 29 anos e depois se tornou ídolo do Corinthians, clube pelo qual se aposentou ao final de 2010.


Então, aos 34 anos, começou sua trajetória fora de campo, não deixando o futebol de uma vez por todas, mas seguindo rumos diferentes do que estava acostumado e vendo o esporte de outra forma.

Aposentadoria

William 'Capita', gerente do Santos, na sede da Federação Paulista Gazeta Press
Após se tornar capitão da campanha do Corinthians na série B do Campeonato Brasileiro de 2008 e conquistar o título, levantar o caneco (e pegar fogo) do Campeonato Paulista de 2009, além da taça da Copa do Brasil também com o time paulista, William tomou a decisão de se aposentar aos 34 anos.

Logo em seguida, em 2011, assumiu o cargo de gerente esportivo no clube pelo qual escolheu se aposentar. Cargo que ocupou por apenas 24 dias: "Eu não queria esse cargo, me foi oferecido no meio do ano. Mario Gobbi [então Diretor de Futebol da época] me perguntou se eu iria mesmo me aposentar e fez o convite".

"Algumas diferenças no dia a dia me fizeram ver que eu não conseguiria exercer o que havia sido acordado, algumas coisas ficaram diferentes e eu achei que não conseguiria ajudar o Corinthians. Isso poderia trazer estresse e atrapalhar até mesmo os jogadores no campo", explicou o ex-jogador do porque decidiu deixar o cargo. "A decisão foi 'acertada'", finaliza.

Após deixar o time da capital paulista, William realizou o desejo antigo de morar fora do país e, ao voltar ao Brasil, tentou retomar uma paixão que já tinha desde os tempos que começava sua carreira no América-MG: lidar com consultoria financeira. Porém, a primeira tentativa não deu certo e em pouco tempo o negócio fechou.

Aceitou, então, retornar ao futebol e se tornou gerente de futebol do Bahia. Outra 'empreitada' que não durou muito tempo, já que, como conta William, por problemas familiares teve que deixar o cargo: "Agradeço muito ao Bahia pela oportunidade, mas tive que sair".

Em 2014, ano de Copa do Mundo no Brasil e que, novamente, trouxe o capitão de volta ao mundo do futebol. William aceitou ser comentarista dos jogos da competição pelo SporTV, a princípio apenas para o mundial. No entanto, a experiência foi "tão positiva"que ficou por quase 4 anos comentando partidas de futebol.

"Requer uma responsabilidade muito grande porque você, muitas vezes, precisa apontar o erro nos trabalhos alheios. Sempre tomava cuidado no que falava e acabei fazendo muitos amigos no jornalismo", explica.

Para explicar o motivo pelo qual deixou o posto, explica, novamente, o quanto sempre teve o desejo de fazer algo que melhorasse o futebol (dentro de campo e nas instituições) e como comentarista, não sentia estar fazendo o que sempre buscou. Foi quando recebeu outra proposta para ser diretor esportivo de um clube brasileiro, desta vez dentro do Santos. Aceitou e ficou feliz pelo convite, principalmente por não ter nenhuma ligação anterior com o clube: "Sabia que eu saía de pedra [como comentarista] para vidraça".

Sem se alongar sobre os tempos de Santos, William afirma que, ainda que vivendo o futebol como antes, não conseguia melhorar o futebol em um todo porque ficava apenas dentro de um clube, não tinha contato com os outros.

Deixa o time da baixadas após receber outra proposta para retornar ao mercado financeiro e aceita por "não ter barreiras clubísticas", com o desejo de fazer com que os atletas entendam que a vida profissional um dia acaba e os jogadores precisam se preparar para o pós-carreira, cargo e função que ocupa até hoje.

Decidiu, então, ao deixar o time da baixada em julho, se especializar. Conseguiu o certificado de Agente Autônomo de Investimentos, liberação para o exercício da função e diz ter se adaptado pela experiência no começo da carreira, quando fez um curso de Ciências Contábeis na PUC-MG, local que despertou seu interesse em investir: "Aprendemos a ganhar dinheiro, mas não aprendemos a investir. Deveríamos ter educação financeira desde sempre, é uma lacuna que temos no país", adiciona.

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Para os jovens jogadores, explica: "Precisam entender que dão duro em busca de um sonho, mas poucos vão conseguir jogar em um time grande, infelizmente essa é a realidade - assim como quase foi a minha, por muitos anos, porque cheguei ao Grêmio com 28/29 anos". "O dinheiro é suado, do atleta é literalmente suado. Mas o atleta não tem data de validade, não sabe quando vai parar ou se vai continuar vivento do esporte", finaliza.

Hoje em outra realidade, perguntado se retornaria a um clube de futebol: "Não, não penso. É muito gostoso, principalmente quando está ganhando. Mas o prazer que eu tenho hoje assessorando várias pessoas, eu não vou conseguir em um clube de futebol". "Talvez com 60 anos, se eu estiver cansado de prestar assessoria, eu possa pensar em alguma coisa com categorias de base, porém só de pensar eu já me vejo preso falando com 100 jovens, mas impossibilitado de falar com todos os outros de outros clubes", explica William.

Corinthians

William 'Capita' defendendo o Corinthians em 2009 Gazeta Press
Homem de confiança de Mano Menezes desde a época de Grêmio, em que conquistaram, juntos, um Campeonato Gaúcho, o terceiro lugar do Campeonato Brasileiro e o vice-campeonato da Copa Libertadores, William chegou ao Corinthians em 2008, quando o time havia sido rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro, a pedido de Mano, e ambos aceitavam o desafio de assumir o recém-rebaixado.

Logo que vestiu o manto alvinegro, vestiu também a braçadeira de capitão e comandou o time na bela campanha de 2008, com o título e o acesso para a primeira divisão do campeonato. No ano seguinte, com o time reestruturado, levantou mais duas taças: o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.

"Para ser capitão de uma equipe, não é só usar a faixa. Você precisa, também, dentro de campo fazer o principal: exercer bem a sua função. Primeiro, você faz a sua função, seja você goleiro, atacante ou lateral. E aí, depois, você vai ter esse 'algo a mais' que é liderar sua equipe lá dentro. Liderar não vai te manter líder, se você deixar a desejar, sua liderança se dissipa e os companheiros deixam de acreditar em você"

"Serei eternamente grato ao Mano pela chance que me deu no Grêmio. O técnico confiar em um jogador de 28 anos foi fundamental para a minha carreira. A ida ao Corinthians foi muito mais fácil, porque já convivíamos há dois anos", explicou, agradecendo a confiança do treinador. "Sem dúvida, a ida para o Grêmio foi o maior desafio, em que ele colocou a confiança da diretoria nele em cheque. Felizmente eu pude corresponder".

Sobre o Corinthians: "Tinha a obrigação de vencer a série B, era o mínimo que poderíamos fazer", mas a Copa do Brasil foi o que "resgatou de fato o prazer do torcedor de saber que sua equipe era, novamente, uma das principais do país", exaltou.

Conhecido, obviamente, pelo título que faz referência à sua liderança dentro de campo, 'Capita' também analisou o momento atual do Timão: "Toda época tem seu tipo de liderança. Vejo que o Corinthians tem se reconstruído desde a minha saída e fazendo com maestria o comando da defesa. Acredito que o Carille vai dar, aos poucos, a cara que o Corinthians teve nos últimos anos".

"Alguns torcedores brincam comigo que eu tenho que voltar: 'Você está magrinho, tá fininho'. E eu falo que não, se eu voltar vocês irão me xingar, porque não dá mais", finaliza rindo.

Seleção brasileira

Daniel Alves, capitão da seleção brasileira, em partida contra o Catar em 2019 Getty Images
Sem passagens pela seleção principal do Brasil, William vê o momento dos comandados de Tite por outros olhos: o de torcedor e, reconhecidamente, um líder que foi dentro de campo por clubes: "Temos que ver os problemas da seleção e tentar entender o que acontece. Como comentarista, eu tinha minha opinião, mas tinha que respeitar a opinião alheia. Eu posso discordar de algumas coisas do Tite, mas eu tenho que respeitar as decisões dele. Ser técnico da seleção brasileira é uma função muito difícil".

"Independente de ganhar ou não a Copa América, devemos garantir que ele continue no ciclo. Ele tem que aprender com os erros dele. Escutamos muito sobre uma troca caso ele não ganhar, e respeito a decisão caso venha a ser tomada, mas devemos analisar o trabalho como um todo e ser, em geral, mais paciente com a seleção brasileira", finaliza William.

Faixa de capitão
"Hoje, olhando a seleção brasileira, eu vejo perfis diferentes de liderança. O Alisson é um cara muito tranquilo, chegou ao Liverpool após a saída conturbada de um goleiro que falhou na final da Champions League e conseguiu se firmar na posição. Vejo nele uma personalidade que poderia abraçar a faixa de capitão".

No entanto, defende a faixa no braço de Daniel Alves por já ser um líder, principalmente "pela idade e experiência, sabe ganhar títulos". E como existe a dúvida se Daniel estará na Copa de 2022, no Catar, afirma que "gostava do rodízio de capitães, era benéfico porque existem diferentes tipos de liderança".



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447 visitas - Fonte: ESPN

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